8.9.08 9:16 PM | MILTON DONIZET RESENDE RODOVALHO]
PEDAGOGIA DA AUTONOMIA
Paulo Freire

CAPITULO 1
Não há docência sem discência
Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou sua construção.
Quem ensina aprende ao ensinar e que aprende ensina ao aprender.
1.1 Ensinar exige rigorosidade metódica
Percebe-se, assim a importância do papel do educador, quanto a sua tarefa docente não apenas ensinar os conteúdos mas também ensinar a pensar certo.
1.2 Ensinar exige pesquisa
Ensino porque busco , porque indaguei, porque indago, e me indago.
Pesquiso para constatar, contatando, intervenho, intervindo educo e me educo, pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.
1.3 Ensinar exige respeito aos saberes do educando
Porque não estabelecer uma intimidade entre os saberes curriculares fundamentais ao alunos e a experiência social que eles tem como indivíduos?
O que tem a escola a ver com isso? Ela só tem que ensinar os conteúdos? Transferi-los aos alunos?
1.4 Ensinar exige criticidade
A curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvendamento de algo, como pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento, como sinal de atenção que sugere alerta faz parte integrante do fenômeno vital.
1.5 Ensinar exige Estética e Ética
Decência e boniteza de mãos dadas. A pratica educativa em de ser, em si, um testemunho rigoroso de decência e de pureza.
É por isso que transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é mesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador.
Pensar certo, pelo contrario, demanda profundidade e não superficialidade na compreensão e na interpretação dos fatos.
1.6 Ensinar exige a coporeificação das palavras pelo exemplo
Pensar certo é fazer certo.
Quem pensa certo esta cansado de saber que as palavras a que falta a corporeidade do exemplo pouco ou quase nada valem.
1.7 Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer
forma de discriminação
A grande tarefa do sujeito que pensa certo não é transferir, depositar, oferecer, doar ao outro, tomando como paciente do seu pensar, a intelegibilidade das coisas, dos fatos, dos conceitos. A tarefa coerente do educador, que pensa certo é, exercendo como ser humano a irrecusável pratica de inteligir, desafiar o educando com que se comunica e a quem comunica, produzir sua compreensão do que vem sendo comunicado.
1.8 Ensinar exige reflexão critica sobre a pratica
Por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão critica sobre a pratica.
É pensando criticamente a pratica de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima pratica.
1.9 Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade
cultural.
A questão da identidade cultural, de que fazem parte a dimensão individual e a de classe dos educandos cujo respeito é absolutamente fundamental na pratica educativa progressista, é problema que não pode ser desprezado.
Tem que ver diretamente com assunção de nós por nós mesmos.
É isto que o puro treinamento do professor não faz perdendo-se e
perdendo-o na estreita e pragmática visão do processo.
CAPITULO 2
Ensinar não é transferir conhecimento
Saber que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção.
Entrando em sala de aula devo estar sendo um ser aberto a indagações, um ser critico e inquiridor, inquieto em face da tarefa que tenho – a de ensinar e não a de transferir conhecimento.
2.1 Ensinar exige consciência do inacabamento
Quer dizer, já não foi possível existir sem assumir o direito e o dever de optar, de decidir, de lutar, de fazer política. E tudo isso nos traz de novo a imperiosidade da pratica formadora, de natureza eminentimente ética.
2.2 Ensinar exige reconhecimento de ser condicionado
É na inconclusão do ser, que se sabe como tal, que se funda a educação como processo permanente. Mulheres e Homens se tornaram educáveis na medida em que se reconheceram inacabados.
Não foi a educação que fez mulheres e homes educáveis, mas a consciência de sua inconclusão é que gerou sua educabilidade.
2.3 Ensinar exige respeito a autonomia do ser do educando
O professor que desrespeita a curiosidade do educando, o seu gosto estético, a sua inquietude, a sua linguagem, mais precisamente, a sua sintaxe e a sua prosódia; o professor que ironiza o aluno, que o minimiza, que manda que “ele se ponha em seu lugar” ao m ais tênue sinal de sua rebeldia legítima, tanto quanto o professor que se exime do cumprimento de seu dever de propor limites à liberdade do aluno, que se furta ao dever de ensinar, de estar respeitosamente presente à experiência formadora do educando, transgride os princípios fundamentalmente éticos de nossa existência
2.4 Ensinar exige bom senso
O exercício do bom senso, com o qual só temos o que ganhar, se faz no “corpo” da curiosidade. Neste sentido, quanto mais pomos em prática de forma metódica a nossa capacidade de indagar, de comparar, de duvidar, de aferir, tanto mais eficazmente curiosos nos podemos tornar e mais critico se pode fazer o nosso bom senso.
2.5 Ensinar exige humildade, tolerância e luta em defesa dos direitos dos educadores.
-A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua pratica docente, enquanto pratica ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte.
2.6 Ensinar exige apreensão da realidade.
- A luta dos professores em defesa de seus direitos e de sua dignidade deve ser entendida como um momento importante de sua pratica docente, enquanto pratica ética. Não é algo que vem de fora da atividade docente, mas algo que dela faz parte.
2.7 Ensinar exige alegria e esperança.
- Há uma relacao entre a alegria necessária à atividade educativa e a esperança. A esperança de que professor e alunos juntos podemos aprender, ensinar, inquietar-nos, produzir e juntos igualmente resistir aos obstáculos a nossa alegria.
2.8 Ensinar exige a convicção de que a mudança é possível.
- Não sou apenas objeto da Historia mas seu sujeito igualmente. E a partir deste saber fundamental: mudar é difícil mas é possível, que vamos programar nossa ação político-pedagógica, não importa se o projeto com o qual nos comprometemos é de alfabetização de adultos ou de crianças, se de ação sanitária, se de evangelização, se de formação de mão-de-obra técnica.
2.9 Ensinar exige curiosidade.
- Como professor devo saber que sem a curiosidade que me move, que me inquieta, que me insere na busca, não aprendo nem ensino.
O fundamental é que professor e alunos saibam que a postura deles, do professor e dos alunos, é dialógica, aberta, curiosa, indagadora e não apassivada, enquanto fala ou enquanto ouve. O que importa é que professor e alunos se assumam epistemologicamente curiosos.
CAPITULO 3
ENSINAR É UMA ESPECIFICIDADE HUMANA.
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3.1 Ensinar exige segurança, competência profissional e
generosidade.
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3.2 Ensinar exige comprometimento.
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3.3 Ensinar exige compreender que a educação é uma forma de
intervenção no mundo.
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3.4 Ensinar exige liberdade e autoridade.
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3.5 Ensinar exige tomada consciente de decisões.
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3.6 Ensinar exige saber escutar.
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3.7 Ensinar exige reconhecer que a educação é ideológica.
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3.8 Ensinar exige disponibilidade para o dialogo.
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3.9 Ensinar exige querer bem aos educandos